BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, LIBERDADE, Mulher, de 20 a 25 anos, English, Italian, Arte e cultura, Moda, Ética, Design de Produto, Raiz da Terra MSN - lucianjung@hotmail.com
Uma maravilhosa descoberta de moda eco-sustentável em Belo Horizonte, a Miho. Pelo que ouvi dizer, é formada por quatro sócios, na faixa dos 20 e poucos anos, formados ou formandos em Design Gráfico na FUMEC; parece que tem lá também um elemento de Design de Produto da UEMG. Logo se percebe quando um projeto tem design - e não achismo e cópia...
Aprovada!
Miho: http://www.miho.com.br/
"Criada em 2007, a empresa MIHO eco design propõe uma visão e comportamento diferenciado em relação ao Mercado atual. Com base no design sustentável a MIHO elaborou um conceito de criação e desenvolvimento de produtos, ambientes e suportes gráficos os quais são frutos de matéria prima alternativa, sejam elas orgânicas, renováveis ou recicladas, com o objetivo claro de reduzir os impactos no âmbito social, econômico e ambiental em todo o seu processo de produção.
Em um mundo onde a natureza e o urbano ainda não convivem em harmonia, um estilo de vida sustentável se torna cada vez mais necessário no cotidiano do homem contemporâneo. A MIHO se inspira na estética da metrópole e nas soluções da natureza, provando que é possível agir e se vestir de maneira sustentável sem abrir mão das vantagens que a vida urbana nos oferece.
A MIHO acredita na formação de parceiros com o objetivo de criar uma rede sustentável no âmbito socioeconômico e ambiental. As parcerias são sempre criadas em prol da reciprocidade, em trabalhos conjuntos envolvendo troca de experiências, serviços e produtos.
Bolsas de saco de cimento reciclado de Rogério Lima
Em setembro, estive na Casa Cor Minas 2009 e, num dos ambientes, o quarto de vestir (ou algum equivalente pra closet), tinha umas bolsas de saco de cimento de um cara que eu não lembrei o nome de jeito nenhum! Bom, não lembrei até hoje cedo - tudo bem, quase três meses depois, mas ainda está valendo, né não? ehehe Chama-se Rogério Lima, e é bem famoso e estimado aqui em Bélozonte! As bolsas dele são luxuosas (me faz lembrar o estilo quatrocentão...) e no melhor "estilo Brasil"!!!
Processo simples, a reciclagem dos sacos de cimento protege o meio ambiente e gera renda, tanto no papel da embalagem (que pode virar uma bolsa), quanto nas sobras de cimento, que podem se transfromar em esculturas. Pronto! Menos um resíduo na consrução civil A construção civil é um grande consumidor de materiais e um grande gerador de resíduos. A idéia é viabilizar o desenvolvimento sustentável em combinação com a solução do problema social da habitação não é novo e conta até com uma categoria especial no Setor Reciclagem. Os desafios da construção civil, em diminuir o impacto ambiental da sua atividade, são enormes, mas um de seus resíduos pode ter novas utilidades com pouco esforço e investimento.
Reciclagem de sacos de cimento
O papel que embala o saco de cimento é de boa qualidade, portanto pode se transformar em papel ou papelão novamente. O saco de cimento está classificado como KRAFT III, em uma grande lista de tipos de papel, então é bom não misturá-lo com outros tipos, assim preserva-se o valor das outras aparas de papel. Se a reciclagem deste resíduo é viável, deve-se fazer um trabalho de conscientização e sensibilização que envolva todos os elos da construção civil, de fabricantes de cimento e construtoras, até o ajudante de pedreiro.
O processo de reciclagem do saco de cimento
É bastante simples. Após o corte correto do saco, para não estragar ou espalhar pequenos resíduos de papel (além de não desperdiçar cimento), as embalagens devem ser separadas dos outros resíduos e lavadas em um tanque com água de chuva, por exemplo. Após a secagem, o papel deve ser estocado até alcançar o maior volume possível. Recicladores compram toneladas de papel. A borra obtida na lavagem do papel pode se transformar em esculturas. É importante ter visão ampla e reutilizar o que for possível. A mesma água pode ser usada inúmeras vezes. Como todo empreendimento, é muito importante a elaboração de um plano de negócios e uma pesquisa de mercado, para conhecer o publico alvo e avaliar os investimentos necessários. Procure maiores informações na área técnica do Setor Reciclagem.
Bolsas ecológicas de sacos de cimento
Vale citar a iniciativa de sucesso do estilista mineiro Rogério Lima, que lançou uma coleção, que vai de maxibolsas à carteiras, todas feitas de sacos de cimento. Aliadas a tecidos e peças de metal ou envernizadas, as bolsas ilustram a preocupação com a reciclagem. Segundo Rogério, a idéia de usar os sacos de cimento surgiu na reforma do Showroom, lugar onde a grife vende por atacado. “Desde que Jum Nakao criou roupas recicláveis, fiquei com vontade de fazer algo parecido, mas achava que não era funcional”, conta. “Quando reformei meu Showroom, gastei muito saco de cimento. O setor financeiro da minha empresa ficou no meu pé dizendo que eu estava gastando muito dinheiro e que tantos sacos teriam que se pagar. Pensei em vendê-los, mas logo mudei de idéia e foi quando vi que poderia colocar em prática a vontade de fazer moda reciclável”, diz. O sucesso foi tanto que Rogério já participou de feiras em Paris, Milão, Hong-Kong e atualmente fabrica as bolsas da grife Cavalera - que já tem a linha de papel em todas as lojas da marca -. “Na edição 2008 da São Paulo Fashion Week, faltavam três dias para o desfile e o estilista Ronaldo Fraga me pediu para criar uma bolsa. Ele me deu algumas estampas relacionadas ao tema do desfile, que era o rio São Franciso, e escolhi a de um peixe. Fiz uma carteira grande de saco de cimento com um peixe feito em couro na frente. Ronaldo amou e brincou que a carteira ia roubar a cena das roupas”, conta. A grande maioria dos resíduos são recicláveis, mas as vezes não são reciclados por estarem contaminados e misturados. Com força de vontade, transformamos lixo em riqueza. Com as bençãos da mãe natureza.
Com a preocupação na preservação do meio ambiente, a Neoprene Brasil, através de um processo seletivo de sobras de matéria prima, disponibiliza para o mercado chapas de neoprene recicladas – o Ecoprene. Mantêm as mesmas características originais do neoprene tais como:alta resistência, proteção isotérmica e elasticidade. Excelente opção para confecções, calçados, acessórios entre outros.
“A Green acredita que, quanto mais cedo aprendermos o que realmente importa para a construção dos nossos valores, mais saudáveis e felizes seremos. A mãe exercendo cidadania e a criança aprendendo com o seu exemplo.
“Para vestir um mundo melhor, somamos matérias-primas recicláveis e renováveis a uma produção sustentável, beneficiando o meio ambiente e a sociedade por meio do envolvimento de parceiros verdes que buscam na reutilização de materiais um meio de vida.
Material: reciclado, tecido de fibras de poliéster mais finas obtidas a partir da reciclagem de garrafas PET que, combinadas a mais alta tecnologia têxtil resultam em m tecido nobre, macio, confortável, agradável ao toque e muito resistente.”
Página 184
PACCE, Lilian. Ecobags: moda e meio ambiente. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2009
Bem, vamos ver além do meramente visível.
Primeira coisa, analisemos o material, que é aquilo que informa, dá informação ao subjetivo, materializando-o – pra seguirmos a onda do filósofo Flusser (autor, dentre outras coisas, de “O mundo codificado”).
• Green: utiliza malha de algodão, que é uma das plantações mais sujas e mortais do planeta.
O algodão representa 16% da liberação das inseticidas no mundo – mais do que qualquer outra colheita, e 10 % de todas as pesticidas. As pesticidas representam 50% do custo total da produção de algodão. A maior parte das plantações de algodão, encontra-se em países em desenvolvimento, como Índia e países africanos. Segundo a Organização Mundial do Trabalho, de 5 milhões de envenenamentos, 40 mil está relacionado a óbitos de agricultores, provocados por pesticidas. O algodão geneticamente modificado representa 30% da produção mundial e 70% da produção americana. Estima-se que metade do algodão do mundo, em 2010, será geneticamente modificado. O Institute of Science in Society relatou uma série de “ovelhas mortas, trabalhadores doentes e aldeões mortos” associada com o envenenamento tóxico severo do algodão geneticamente modificado em Andhra Pradesh, na índia, em 2006. Resumindo: não é vantagem ecológica nenhuma qualquer coisa 100% algodão. Agora, algodão orgânico, pode.
Vale lembrar um pouco da história do algodão: cultivado no Vale do Rio Indus (Paquistão) e na América do Sul desde 3000 a. C., o algodão, quando crescia naturalmente, variava de oito a 12 tonalidades – do bege ao vermelho, até o verde. (Hoje, a Embrapa está desenvolvendo novas cores de algodão no Nordeste, que já são bem populares pela empresa Natural Fashion). Depois da conquista espanhola do Peru em 1532, a produção de algodão das novas variedades Pima e Tanguis recebeu preferência sobre as variedades indígenas. Após a Revolução Industrial, o cultivo comercial se concentrou no algodão branco porque já era possível utilizar as tinturas sintéticas (grande parte tóxica, poluente, produto da Química Inorgânica). A partir daí, as modificações das espécies de algodão buscavam o comprimento e a brancura. 95% do algodão produzido e usado atualmente pertencem a uma única espécie, a Gossypium hirsutm.
• Paola Da Vinci: a malha de PET é geralmente feita com 50% da fibra de algodão comum, esse mesmo que acabamos de falar, e de 50% de fibra de poliéster reciclado, em que se recicla principalmente garrafas de refrigerante.
PET é a abreviação de polietileno tereftalato, um polímero derivado do petróleo. A Patagonia, uma marca de roupas americanas que tem uma pegada ecológica e um estilo outdoor, foi a primeira a usar garrafas plásticas recicladas para fazer uma lã de poliéster chamada fleece desde que começaram a ser feitos, há 14 anos, os fleeces reciclados tiraram 86 milhões de garrafas dos lixões.
No Brasil, devido ao clima predominantemente tropical, a malha de PET reciclado não é apropriada, a não ser no inverno. Há alguns anos, foi lançado aqui o jeans com PET, muito divulgado pela M. Officer e produzido pela ex-Santista (hoje, Tavex). Mas esse jeans não “pegou”, porque era muito “quente” – afinal, PET é plástico e dificulta a transpiração. Hoje, um bom fornecedor que está trabalhando com uma linha completa de fibras com PET é a TêxtilFio.
Segundo ponto, vamos analisar a adequação do produto ao seu público-alvo, que é o infantil.
• Green: as formas geométricas e amplas sugerem diferentes interpretações para se identificar um animal na bolsa. Seria um rato? Um urso? Sapo? Macaco? Elefante? A forma permite a imaginação, instiga a percepção da criança. Além disso, trata-se de formas geométricas, que possibilitam uma atemporalidade do objeto. Essa bolsa, quanto ao seu aspecto formal, é um excelente exemplo de design de produto. Ela pode acompanhar uma criança durante alguns anos de seu desenvolvimento, desde aquela que ainda não foi alfabetizada até aquela que está na iminência de entrar pra turma dos tweens. As cores favorecem um uso tanto dos meninos, quanto das meninas – embora o fato de ser uma bolsa implique numa opinião convencional de feminino.
• Paola Da Vinci: entrega a narrativa pronta. Há uma leitura linear a ser feita pela criança que, para dialogar com este objeto mais diretamente, deve estar em processo de alfabetização. A forma de alfabetização sugerida na bolsa, em que palavras são substituídas por desenhos, e bem didática e comum. Ou seja, essa bolsa atinge um público mais específico, menor. E, opinião minha, é uma bolsa que ao tentar ensinar palavras, ela “emburrece” a criança, porque só oferece uma interpretação possível para seu discurso formal. No entanto, é muito válido a questão de haver uma bolsa idêntica para a mãe e outra para a filha, porque cria uma identidade em que uma reflete-se na outra (embora isso também, se formos adentrar num psicologismo de esquina, possa ser bem complicado para o desenvolvimento mais da filha que da mãe; mas nessa seara eu não me meto, só pontuo). A mãe pode dar o exemplo de não usar sacolas plásticas, só carregar as compras na sua ecobag que, por ser idêntica a da filha, torna-se um canal para que essa se identifique com este referencial. Mas, cá entre nós, essa ecobag é bem boboca para uma mulher bacana, só serve mesmo pra suscitar um comportamento ecológico na filha.
Por fim, apesar das incoerências das duas ecobags, que são projetos de produto capengas, feitos equivocadamente, eu, pessoalmente, nutro bastante simpatia pelas duas marcas. São fortes e já bem estabelecidas no mercado. Cada uma tem seu ideário peculiar, que foi construído durante anos. Essas ecobags são as primeiras dessas marcas; creio que daqui uns anos, depois de outras tentativas, depois de outros projetos de ecobags, tanto Green quanto Paola Da Vinci conseguirão uma bolsa digna de receber tal alcunha eco. São marcas que tem potencial. Só precisam de mais Design de Produto.
Pra escrever esse post, consultei três livros:
“Ecobags: moda e meio ambiente”, da Lilian Pacce, Editora Senac
“O mundo codificado”, do Vilem Flusser, Editora Cosac Naify
“Eco chic: o guia de moda ética para a consumidora consciente”, da Matilda Lee, Editora Larousse
Este post foi escrito por mim para o blog da Pistache & Banana: http://pistachebanana.com.br/blog/
Pois eu estou me achando a pessoa mais querida dessa Raiz da Terra!
É que o pessoal da produção e o pessoal da diretoria estão disputando quem organiza minha festinha de aniversário! O pessoal da produção - liderado pela chefe, aquela que disse que eu não era estilista, etc.; mas que me ajuda um tantão - já tinha organizado, ia ser hoje, mas meu chefe não deixou porque está viajando, e já me ligou dizendo que será segunda! (Na real, foi ontem o dia). E eu só escuto uns murmurinhos aqui e ali sobre o meu aniversário! Daí, tá uma turma "de tromba", "de bico", com a outra... Mas, quer saber? Eu tô tão feliz com esse ciuminho entre as partes! ehehehe
Taí o vídeo do Ethical Fashion Show em Paris, de2007. Estava vasculhando e, no segundo 0:24 aparece um vestido da Raiz da Terra, talvez o nosso mais simbólico vestido.
Taí mais uma dica para os colegas de profissão: montar seu portifólio no Coroflot: http://www.coroflot.com/
E quem mexe mesmo com moda, esqueça o Facebook (que já está ficando "chulezento" como o Orkut). Tem mais de ano que estou no Iqons, mas já falei dele aqui... http://eticat.zip.net/arch2008-08-01_2008-08-31.html
No Minas Trend Preview, meu chefe - diga-se de passagem, após o 12º copo de chopp gratuito , segundo ele mesmo havia me dito - fez a assinatura do portal UseFashion pra mim.
O portal é ótimo!!! Recomendo a todo designer/estilista não só o site, mas um chefe nessas circunstâncias! ehehehe
I Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño
Martes 24 Noviembre, 2009
Estimada Luciana S Duarte,
CONVOCATORIA I CONGRESO LATINOAMERICANO DE ENSEÑANZA DEL DISEÑO
Se encuentra abierta la convocatoria para el I Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño, organizado por la Facultad de Diseño y Comunicación de la Universidad de Palermo, que integra la agenda del V Encuentro Latinoamericano de Diseño y cuenta con el respaldo del Foro de Escuelas de Diseño, que reúne a más de 200 instituciones educativas de toda latinoamericano y Europa.
26 y 27 de Julio del 2010 / Evento exclusivo para: docentes, autoridades académicas e investigadores del área.
Convocatorias para participar: 1. Conferencistas en:
No uso de suas atribuições previstas no artigo 3º do Estatuto da Associação dos Designers de Produto – ADP, o Conselho de Ética Profissional apresenta o seguinte Código de Ética Profissional, o qual deverá ser observado pelos associados, em toda a sua atuação profissional.
Aprovado em Assembléia Geral realizada dia 08 de dezembro de 2004.
Objetivos e princípios
Art. 1 - O Código de Ética Profissional da ADP tem como objetivo indicar normas de conduta que aprimorem a qualidade do desempenho da profissão do designer de produto, conforme definição apresentada no artigo 2. É voltado aos associados da ADP, regulando suas relações com a classe, empregadores, clientes, fornecedores, empregados e sociedade civil, proporcionando, assim, uma melhoria na qualidade dos serviços prestados pela classe, o incremento na competitividade leal e ética entre seus associados, tendo como fim último a melhoria da qualidade de vida e a proteção do meio ambiente. Art. 2 - As relações entre os associados devem se pautar por princípios de moralidade, de ética profissional, de respeito às regras de concorrência leal e à legislação vigente aplicável à matéria, respeitando os preceitos da Propriedade Intelectual (Propriedade Industrial e Direito Autoral) e das normas técnicas nacionais e internacionais, resguardando os interesses dos clientes e empregadores sem prejuízo da dignidade profissional e dos interesses maiores da sociedade (Código de Defesa do Consumidor).
Definições
Art. 3 - Para efeito deste código, adota-se a definição de design utilizada pelo Conselho Internacional de Sociedades de Desenho Industrial – ICSID, disponível no site www.icsid.org
“Missão – Design é uma atividade criativa cuja finalidade é estabelecer as qualidades multifacetadas de objetos, processos, serviços e seus sistemas, compreendendo todo seu ciclo de vida. Portanto, design é o fator central da humanização inovadora de tecnologias e o fator crucial para o intercâmbio econômico e cultural.
Tarefas - O design procura identificar e avaliar relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas, visando:
- ampliar a sustentabilidade global e a proteção ambiental (ética global); - oferecer benefícios e liberdade para a comunidade humana como um todo, usuários finais individuais e coletivos, protagonistas da indústria e comércio (ética social); - apoiar a diversidade cultural, apesar da globalização do mundo (ética cultural); - dar aos produtos, serviços e sistemas, formas que expressem (semiologia) e sejam coerentes com (estética) sua própria complexidade.
O design diz respeito a produtos, serviços e sistemas concebidos a partir de ferramentas, organizações e lógica introduzidos pela industrialização – não apenas quando produzidos por meio de processos seriados. O adjetivo “industrial” associado ao design deve relacionar-se ao termo indústria, ou no seu sentido de setor produtivo, ou em seu sentido mais antigo de “atividade engenhosa, habilidosa”. Assim, o design é uma atividade que envolve um amplo espectro de profissões nas quais produtos, serviços, gráfica, interiores e arquitetura, todos participam. Juntas, essas atividades deveriam ampliar ainda mais – de forma integrada com outras profissões relacionadas – o valor da vida.
Dessa forma o termo designer se refere a um indivíduo que pratica uma profissão intelectual, e não simplesmente oferece um negócio ou presta um serviço para as empresas.”
Responsabilidades dos associados
São deveres dos associados, entre outros:
- para com clientes e empregadores
Art. 4 – O designer deve oferecer-lhes o melhor de sua capacidade técnica e profissional, procurando contribuir para a obtenção de máximos benefícios em decorrência de seu trabalho; Art. 5 – O designer deve exercer seu trabalho profissional com lealdade, dedicação e honestidade, e com espírito de justiça e eqüidade para com os fornecedores e contratados; Par. 1º – No caso de solicitar desligamento de um projeto, o designer deve informar com antecedência ao cliente ou empregador, de maneira a não prejudicar os prazos compromissados; Art. 6 – O designer deve sempre, por princípio, manter e garantir total sigilo das informações internas privilegiadas e as relativas ao projeto em negociação ou contratado, conforme os prazos estabelecidos.
Par. 1º É responsabilidade do designer assegurar que todos os de sua equipe estejam comprometidos com este sigilo
Par. 2º – O tipo de produto a ser projetado ou serviço prestado deve ser mantido em caráter de exclusividade para aquele cliente, devendo ser oferecido ainda, o privilégio de sua utilização e comercialização.
Par 3º - O designer não deve prestar serviços simultaneamente a dois ou mais clientes, concorrentes diretos, em projetos de produtos similares, a não ser com a concordância expressa das partes envolvidas.
Art. 7 – Na qualidade de consultor, perito ou árbitro independente, o designer deve agir com absoluta imparcialidade, somente expressando a sua opinião se baseada em conhecimentos adequados e convicção honesta.
- para com usuários e sociedade em geral
Art. 8 - O designer deve interessar-se pelo bem público e direcionar sua capacidade para esse fim, subordinando seu interesse particular ao da sociedade e aplicando seu conhecimento e ferramentas ao seu alcance, para gerar soluções de design que resultem em melhoria da qualidade de vida do cidadão, bem estar geral da sociedade e progresso do País; Art. 9 - O designer deve contribuir para o desenvolvimento do Brasil e valorização de aspectos sociais e identidades culturais locais.
- para com a proteção ao meio ambiente
Art. 10 -Em termos absolutos, os interesses das atuais e futuras gerações poderão ser protegidos se o ecossistema puder ser salvaguardado. Em conseqüência o, designer associado à ADP deve adotar os seguintes princípios de gestão ambiental:
Par. 1º Defesa de produtos e serviços seguros. O designer deve estabelecer critérios de projeto que orientem o desenvolvimento de ambientes, produtos, comunicações e embalagens que minimizem danos à natureza e que sejam seguros no uso por todos.
Par. 2º Proteção da biosfera. O designer deve procurar minimizar a liberação de qualquer poluente que possa ameaçar a vida, o ar, a água, ou o planeta.
Par. 3º Uso sustentável de recursos naturais. O designer deve esforçar-se afim de especificar processos e materiais que sejam o resultado de recursos naturais sustentáveis ou renováveis, incluindo a proteção da vegetação, do habitat selvagem, dos espaços abertos e da natureza. O designer compartilhará informação que auxiliará seus pares a fazer a melhor escolha na especificação de materiais e processos. Par. 4º Redução do desperdício e aumento da reciclagem. O designer deve tentar minimizar o desperdício. Neste sentido, deve projetar para a durabilidade, adaptabilidade, manutenção e a reciclagem do produto.
Par. 5º Uso correto da energia. O designer deve escolher fontes de energia ambientalmente seguras e adotar, sempre que possível, meios de conservação de energia tanto na produção como na operação de suas criações..
Par. 6º Uso de novas tecnologias. O designer deve constantemente avaliar as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, e as usar para aplicar novos materiais e processos que economizem recursos naturais. - para com a profissão Art. 11 - O designer deve tratar colegas de profissão ou de outras profissões com cortesia, evitando comentários depreciativos ou atitudes injustas contra seus colegas; Art. 12 – O designer deve respeitar sempre os legítimos interesses de outros profissionais; Par. 1º - O designer pode substituir profissional ou empresa de design, revisando ou corrigindo seu trabalho, apenas em relação de trabalho já encerrada, com seu prévio conhecimento e autorização;
Par. 2º – O designer deve ter sempre em vista o bem-estar e o progresso funcional dos seus empregados ou subordinados e os tratará com retidão, justiça e humanidade.
Art. 13 -O designer não deve tirar proveito, em benefício próprio, quando desempenhando função diretiva em entidade representativa da categoria;
Art. 14 – O designer deve cooperar para o progresso da profissão mediante o intercâmbio de informações sobre seus conhecimentos e tirocínio, contribuindo com trabalho às associações de classe, escolas e órgãos de divulgação técnica , científica e profissional;
Art. 15 - Para efeito de divulgação pública ou em currículo, o designer não deve reivindicar crédito individual em projeto no qual participaram outros designers. O escritório de design, demais participantes de equipes e suas respectivas atribuições deverão ser mencionadas.
Art. 16 - Os honorários profissionais devem ser fixados com base na tabela divulgada pela ADP, atendidos os seguintes aspectos:
Par. 1º - a relevância, o vulto e a complexidade do trabalho a executar;
Par. 2º - o tempo e o trabalho necessários para execução do serviço;
Par. 3º - a condição econômica do cliente e o benefício para ele resultante do serviço profissional; Par. 4º – o caráter do serviço, seja ele avulso, habitual ou permanente; Par. 5º – o local da prestação do serviço, tendo em vista o tempo e as condições de deslocamento em relação ao domicílio profissional do associado;
Par. 6º – a competência e renome dos profissionais envolvidos no serviço.
Art. 17 – É considerada desleal a prestação de serviços profissionais gratuitos ou por preços inferiores aos da concorrência, excetuados os casos em que o beneficiário seja entidade incapaz de remunerá-los e cujos fins sejam de inegável proveito social coletivo. Art.18 - A divulgação de informações privilegiadas, sobre preço e orçamento de um fornecedor para outro, com o intuito de se obter desconto, caracteriza-se como uma atitude não recomendável e comercialmente desfavorável à concorrência, prejudicando toda a cadeia produtiva e a economia nacional.
Art. 19 - A remuneração da prestação dos serviços de projeto de design e a forma de pagamento, deverão ser combinadas e documentadas prévia e claramente;
Art. 20 - Sendo chamado para opinar ou para avaliar outro designer, consultor ou escritório em um processo de seleção, o associado não poderá receber remuneração alguma daquele candidato ou empresa.
Art. 21 - O designer deve receber compensações ou honorários de uma única fonte, pelo mesmo serviço prestado salvo se, para proceder de modo diverso, tiver havido consentimento de todas as partes interessadas;
Art. 22 - Será considerada como honorário aquela porcentagem sobre todas despesas reembolsadas pelo cliente, a título de taxa de administração, desde que com seu conhecimento e devidamente contabilizada pelo associado;
Concursos e concorrências Art. 23 – O designer não deve participar, a qualquer título, de concorrência especulativa, promovida por cliente potencial, cujas exigências atentem contra princípios éticos estabelecidos neste código, tais como:
Par. 1º - apresentação de projetos cujo pagamento de honorários esteja condicionado somente à aprovação do mesmo; Par. 2º - não devolução dos projetos apresentados e não aprovados.
Art. 24 – O designer organizador de concursos e/ou concorrências tem por obrigação pautar-se por critérios pré-estabelecidos, em todas as suas fases, inclusive informando aos excluídos os reais motivos, de modo a contribuir para sua evolução profissional.
Da publicidade da sua atividade Art.25 – A publicidade de sua atividade, deve acontecer de maneira digna, impedindo toda e qualquer manifestação que possa comprometer o conceito de sua profissão ou de colegas. Art. 26 – Todas as publicações ou divulgações relacionadas a sua atividade devem conter apenas informações factuais verdadeiras e estar sedimentadas em bases sólidas e éticas, como competência, custo e qualidade de um determinado produto ou serviço. Art. 27 – O designer pode permitir que seus clientes usem seu nome para a promoção de artigos/produtos por ele projetados ou serviços por ele fornecidos de uma forma apropriada ao status da profissão.
Art. 28 – O designer não deve permitir que seu nome seja associado a realização de um projeto que tenha sido alterado pelo cliente, a ponto de não mais ser, na sua essência, seu trabalho original.
Art. 29 – O designer deve procurar difundir os benefícios e as corretas metodologias de sua atividade profissional em qualquer tempo e condição.
Considerações finais
Art. 30 – A falta ou inexistência neste Código, de definição ou orientação sobre questão ética profissional, que seja relevante para o exercício da atividade do associado, será objeto de consulta e manifestação do Conselho de Ética Profissional da ADP.
Art. 31 – As infrações a este Código de Ética Profissional serão julgadas pela ADP, ouvidos os membros do Conselho de Ética da entidade.
Art. 32 - Compete privativamente a ADP, quando necessário, alterar, adaptar ou modificar as disposições deste Código, bem como editar provimentos destinados a sua efetiva aplicabilidade. Art. 33 – Este Código de Ética Profissional entrará em vigor na data de sua aprovação em Assembléia Geral dos associados da ADP, obrigando-se todos os seus associados a cumprirem com o estabelecido, a partir do momento de sua filiação.
São Paulo, 4 de agosto de 2004
Elaborado por Auresnede Pires Stephan Cyntia Malaguti Freddy Van Camp Nikolas Alexander Savio Chicrala
Documentos de referência - Código de ética das empresas de design associadas ao Comitê de Design da Associação Brasileira de Embalagem – ABRE - Código de ética profissional da ADG – Associação dos Designers Gráficos - Modelo de código de ética profissional do ICSID/ICOGRADA/IFI
Na 6ª-feira, aconteceu o seminário Design & Identidade na Escola de Design – UEMG, que eu ajudei a organizar, na divulgação virtual (só com o Eticat, coloquei o seminário na 3ª página do Google e na 2ª do Google Imagens!!), no cadastramento dos inscritos e preenchendo e distribuindo os certificados. Foi moleza!!! Quem trabalhou mesmo foi meu namorado, carregando umas tralhas do auditório da ED e ligando pra um tanto de gente. Mas foi muita generosidade dele e da orientadora dele, a profa. Lia, terem me incluído nisso. Foi tão boooommmm!!!!
Vou transcrever brevemente umas notas do meu bloquinho:
Gui Bonsiepe
Um dos cânones do Design, não pode vir porque estava lançando um livro no México.
Mas, cá entre nós, já sabíamos que ele não viria, não é?
O áudio da fala dele parecia ter sido gravado por celular da Motorola, parecia um filme de terror. Quem conseguiu entender alguma coisa (foram poucos), consegue entender não só qualquer um falando em italiano, como em grego e javanês!
Dijon de Moraes
“Por que o produto brasileiro não tem valor na exportação?”
“O Brasil não valoriza suas raízes locais.”
Projeto Cara Brasileira, do FHC
70% do PIB da Itália estão diretamente ligados aos setores de Moda, Mobiliário, Iluminação e Transporte, ou seja, design de produto
Mostrou estudos de caso muito interessantes
Fez um esquema gráfico que é uma “mão na roda”: I)identifica-se um AMBIENTE; II) Deste ambiente, capta-se uma MENSAGEM, que será interpretada em três condicionantes; III) as condicionantes da mensagem implicam numa DECODIFICAÇÃO da mesma, em SIGNOS, ÍCONES e SÍMBOLOS. Pura Semiótica a favor do desenvolvimento de produto!!!
No mais, de tanto que eu pesquiso sobre o que esse cara faz, eu já tinha visto alguns slides dele na internet (que alguém fotografou), então certas coisas foram, pra mim, um déjà vu...
Flaviano Celaschi
O cara mais simpático e fofo! As meninas disputavam a atenção dele! Ehehe
Falou num dialeto ítalo-português, mas todo mundo reconheceu o esforço de um estrangeiro tentar (e conseguir) se comunicar na nossa língua.
Eu achei mais prático escrever em italiano mesmo. Segue aí uma montagem de slides que fiz sobre a palestra dele:
“Se eu coloco minha identidade no produto, eu sou um artista. Designer é outra coisa.”
o Parole chiavi per Il design che derivano dell’idea di “terra de mezzo” delle identità:
Sicretismo simbolico; ex.: caixa que transforma símbolos religiosos
Mediazione interculturale; ex: sandálias Melissa (transformou plástico em produto quase imaterial)
Cross fertilization
2) Ribaltamento dell’identità dell’utente dentro al paradigma pubblico – privato
Ieri: Il soggetto lavorava per costruirsi una “immagine pubblica” accettabille o normale...
Camiseta escrita: “Relationship status: single”: necessidade de falar sobre sua identidade ; imediatismo; novo comportamento; voyeurismo; auto-rappresentazione; uso de materiais transparentes para refletir esses comportamentos
Antes de usar roupas, as pessoas (os primitivos, ancestrais) sentiam necessidade de marcar o corpo.
3) Identità antroponimica
Levi Strauss demonstrou que todas as civilizações dão três nomes aos sujeitos:
• Nome: identifica o sujeito • Sobrenome: identifica a família • Alcunha: identifica o sujeito na comunidade
Essa visão na abordagem dos produtos
4) Transdesign
Nel contemporâneo esistano anche gli oggetti che vivono dell’identità di genere combinata o integrata
Ex: roupa que vira sofá inflável
5) Design e identità parassite
Esiste uma pratica del design contemporâneo di proggettare oggetti che vivono solo grazie all’identità o alla funzionalità de un’ altro oggetto esistente
Três linhas de trabalho conceitual/didático/projetual no POLIMI (Politecnico di Milano)
Linea clinico-apotlogica
Linea neuro-psichiatrica
Linea resetting della indentità
Excelente o site do cara: http://www.flavianocelaschi.net/
Paulo Reyes
o Um cara bacana, vestido no melhor estilo designer, bem na dele, bom profissional. o Foi a palestra que eu mais gostei, pela qualidade gráfica, pelo primor no uso do método científico e pela coragem de abordar conceitos da psicanálise para o estudo de design. Sensacional!!! Pena que o cara foi muito rápido, daí eu não consegui copiar muita coisa... Mas, vamos lá:
o Identidade x identidades: uma visão pelo design o Livro “A identidade cultural na pós-modernidade”, de Stuart Hall o Descentramento do sujeito:
Marx: modos de produção
Freud: noção de inconsciente
Saussure: língua como sistema social
(...)
o Identidade territorial como sistema múltiplo, aberto, heterogêneo
Rosemary Bom Conselho
Boa mulher, agradável e gentil. Mas pééééssima palestra: redundante, conclusão óbvia (“o designer deve adotar uma nova postura...”), sem citações de fontes, qualidade gráfica terrível (contraste ruim, a infantil fonte Comic Sans, imagens do Clip-Art do Word, profusão de recursos do PowerPoint da década de 90), voz baixa e monótona, havia umas informações duvidosas e, bem, por aí foi...
Lucy Niemeyer
o É, é a filha do Oscar Niemeyer. A mulher mandou muito bem: postura, método, teve começo-meio-fim, boa qualidade gráfica. A palestra dela foi a que mais acrescentou para o nosso entendimento de Moda Ética! o Identidade e significações: design atitudinal o Identidade: pessoal, cultural, nacional o Identidade – identidades: diferencialismo + universalismo igualitarista = universalismo concreto o Identidade nacional (edênica):
A identidade construída a partir da visão eurocêntrica católica
A inferioridade da população autóctene
o Identidade Macunaíma
“A duplicidade de Macunaíma é a de todos nós diante do Brasil; e suas mutações sucessivas, sempre permanecendo o mesmo, falam bem da clássica ambivalência do brasileiro (...)”
o Identidade antropofágica
Os brasileiros orgulham-se de sua origem/caráter e da natureza do país
“O distanciamento da história leva à valorização da natureza”
o Multiculturalismo x Hibridismo
EUA e Canadá: a experiência da não mistura de etnias
Brasil: ideologia da interpenetração, da hibridação, da miscigenação
o Design: transformar / materializar prazeres, emoções, experiências o Design atitudinal e identidade
Ela prefere o termo “design atitudinal” a “emotional design” porque “design emocional” é inadequado, envolve várias áreas psico (psicanálise, psicologia, psiquiatria, etc); portanto, prefere o termo “atitude” é a manifestação de uma percepção que se mostra
A semiótica propicia que seja estabelecida uma estratégia adequada para comunicar o produto ao destinatário.
o Código de Ética para Designers ICSID/ICOGRADA/IF o Design para a sensibilidade o Produto maiêutico
O produto propõe um aprofundamento da sensibilidade no destinatário
Aliás, ela prefere o termo “destinatário” a “usuário”, este tão decorrente na bibliografia de design de produto.
Lia Krucken
o Assim como a apresentação do Dijon, teve uns slides meio déjà vu pra mim... o De novidade, as plataformas web:
FLOW
MOWSIE: designers independent fashion; produtos únicos com identidade cultural
O seminário teve um buffet que, na minha opinião, foi o melhor que já serviram naquela escola!
Mas, bom mesmo, foi o jantar que rolou na 5ª-feira com toda essa turma. Hummm, só de lembrar dos quitutes... ai, ai!!! Estava tudo tão agradável, o lugar, as pessoas, a música, a comida e a bebida, mas... Eu fui ao banheiro duas vezes pra chorar e chorar ... Porque oooo tristeza que me deu quando o Dijon falou que, muito provavelmente, não haveria, este ano, o projeto Jovens Mineiros (que manda a molecada do 6º período, em que estou, pra ficar uns 40 dias na Itália). Só tem DOIS ANOS que eu tenho feito TUDO pra me adequar a essa oportunidade; eu me preparei tanto...! Lá da turma, nesse sentido, eu to na frente, já cumpri as horas de atividade complementar, de estágio, de disciplinas optativas; tenho um bom portifólio; ganhei concurso nacional de design; fui em tudo quanto é evento, palestra, mesa-redonda, seminário; to aprendendo italiano na UFMG desde o começo do ano; meu lattes estava uma pérola pra essa oportunidade... Daí... Poxa... Ai, deu um nó no meu coração... Um jantar tão especial, e eu ali arrasada, sem chão... Acho que estava na melhor localização da mesa: na minha direita, a Lucy Niemeyer, à esquerda, meu namorado, à minha frente, o Dijon De Moraes (e ao lado dele, o Flaviano Celaschi e o Paulo Reyes)... Eu poderia ter tirado todas as minhas dúvidas de design ali! Mas... estava que nem um bicho-do-mato, me sentindo um peixe fora d’água... Enfim... Quase não falei nada, tentando controlar o choro...
Lucy Niemeyer, eu, Ravi, Daniel, Dijon de Moraes, Paulo Reyes, Flaviano Celaschi, Lia Krucken, etc.
Depois, no sábado, fomos ao Inhotim, e foi fantástico! Desde que me mudei pra BH, tento ir ao Inhotim, um híbrido de parque florestal com museu de arte contemporânea, mas sempre algo dava errado de última hora. Dessa vez, foi tudo ótimo! Voltei cansada, mas realizada...! E, bem, eu estava quase recuperada da tristeza da impossibilidade da viagem à Itália, mas ainda assim consegui me comportar como o ser mais invisível, jeca tatu e bicho-do-mato possível. Deixei passar mais uma oportunidade de tirar boa parte das minhas dúvidas com esses dinossauros do Design... É, vai entender... Timidez, vergonha, nervosismo, insegurança, algo por aí... É como gostar de Pink Floyd e passar um dia no parque com o Roger Waters e o David Gilmour: vc. sabe todas as músicas, gosta de umas mais, acha que eles poderiam ter sido melhores em outras, sabe muito da vida e carreira deles... Sobre o que vc. vai conversar? Sobre música? Seria injusto com eles, que sabem tanto sobre o que fazem; não seria uma conversa, seria uma palestra. Então, conversaríamos sobre design? Daí, achei que o mais adequado era coexistir, como se eles não tivessem esse peso que tem pra mim, como se fossem as pessoas mais comuns da paróquia, dignos de conversas triviais... Mas, ah!, que insustentável leveza do ser! A “Insustentável leveza do ser” de Milan Kundera desmente tudo... Eu me esforcei muito para ser leve, pra sustentar essa leveza que disse, em “Mãos dadas”, Drummond, “teus ombros suportam o mundo, e ele não pesa mais que a mão de uma criança”. Foi uma tonelada um dedinho mindinho...
Lucy, Paulo, Gisele, Dijon, Ravi, eu, Raquel, Rosemary, Manu
Muitas pessoas me procuraram este ano a respeito de calçados ecologicamente corretos. E foi bem legal, trocamos pontos de vista, crescemos compartilhando informações. Então, resolvi tornar público um dos últimos e-mails que respondi a dúvidas de uma leitora do Eticat, sobre os tais calçados verdes.
Acredito que as idéias estão jungueanamente no ar, à disposição de qualquer pessoa. Acredito que vai da honestidade e consciência de cada um copiar/roubar/falsificar. E, na boa, acho a maior bobagem quem segura informação. Não é o meu caso. So, check it out, baby!
Bem, a linha de calçado que projetei não é a mais ecológica que eu poderia fazer. Há colas à base de água, que eu não usei, por exemplo. Os calçados são do tipo vulcanizado (em que os All Star são simbólicos), com acabamento e solado em borracha natural e cabedal feito em tecidos ecológicos, como jeans orgânico, tencel (vem da polpa da madeira) e sarjas 100% algodão. Naturalmente, a cartela de cores privilegiou tons naturais, risos!, com um toque de vermelho, rosa e menta. Veja bem, a matéria-prima é ecológica, mas o processo produtivo é comum - essas duas coisas combinadas já eram feitas nos anos 70, em que não se falava de sustentabilidade, mas de "green design", nos países desenvolvidos. Como no Brasil começamos a dar mais valor a aspectos sustentáveis de meados dos anos 2000 em diante, o nosso processo produtivo está muito defasado em relação aos países que já deram esse "start" há 40 anos atrás.
Então, hoje, nós podemos fazer um calçado sustentável focando: 1) na matéria-prima ecológica; 2) no envolvimento de projetos sociais. Isso é o mais viável, a princípio. Depois, nós podemos pensar em melhorar o processo produtivo, de modo a reaproveitar recursos naturais dispendidos na produção do calçado, como energia; melhor organização do chão de fábrica; otimização de detalhes produtivos, etc. Depois ainda, pensamos em como reciclá-los - porque já teremos criado um processo produtivo para isso. Um passo de cada vez, ou você pode ficar louca com tanta coisa!
Há um detalhe importante: pela minha pouca experiência com esse mercado de produtos sustentáveis, eu diria que a maioria dos consumidores não estão dispostos a pagar mais caro por esse tipo de produto. Ainda mais porque há um agravante além do preço mais elevado (decorrente da matéria-prima que costuma custar o dobro da não-ecológica): os produtos brasileiros de cunho sustentável ainda pertencem majoritariamente a estética do "eco-ugly", isto é, utilizam recursos de estilismos que transmitam didaticamente a sua característica eco-sustentável, seja num certo aspecto rústico do material, ou na cartela de cores naturais. A minha linha de calçados encontra-se nessa estética, mesmo eu sabendo que ela está defasada para o mercado externo, mas é assim que eles terão seu valor sustentável reconhecido no nosso mercado. É preciso educar o consumidor, que para esse tipo de produto, é uma minoria. Ou seja, projetar um novo estilo de vida, uma nova estética.
Portanto, como se trata de um produto relativamente novo no nosso mercado, optei pelo tipo de calçado vulcanizado, que é um dos mais baratos possíveis, e mais bem aceitos por diversos segmentos/targets de mercado. Tanto o adolescente quanto o tiozão usam calçado tipo All Star. Trata-se da minha estratégia para ter mais chances de tornar o produto aceito no mercado. Não quer dizer que seja a melhor estratégia, é só a mais óbvia.
Sobre o Ecoshoes, tive o prazer de conversar pessoalmente com o Walter Rodrigues sobre o assunto, que havia me contado com um ano antes de lançar sobre seu produto. Muito generoso e aberto o cara. Mas há muitas marcas de calçados eco que pesquisei no primeiro semestre. Na semana que vem, procuro esses arquivos no pc da empresa e te mando alguma coisa.
Aqui onde moro, Belo Horizonte, há muitos cursos pelo SENAI MODATEC, sobre pesponto, corte, costura e modelagem de calçados. Mas há mais ainda em Nova Serrana, que é um dos maiores pólos de calçado do país, onde meu pai, que é modelista de calçado (e que, pra mim, o cara é um curso), trabalha. Eu estudo Design de Produto, na Escola de Design da UEMG (a do estado de MG), estou no 6º período. Mas trabalho com Design de Moda numa empresa de moda ética (www.raizdaterra.com). Eu recomendo todo mundo fazer um blog, porque pra mim, abriu uma porrada de portas. Meu chefe me achou pelo blog, e muita coisa boa surgiu a partir disso; gente de Milão, de Paris, de Portugal, dos EUA, da Síria já entrou em contato também. Rola muita coisa boa.
Olha, vc. disse que gosta de calçados mais femininos, bem delicados, tipo perua, né? Bom, tenta ver se é um público que dá valor a esse conceito sustentável... Porque, do pouco que eu sei e estou vendo lá na empresa (são as madames de interior que mais compram nossas roupas), o valor ecológico desse tipo de produto não é muito percebido por essas mulheres. Elas gostam de MODA, de fashion, de brilho, do diferente, feminino, transado. Então, vc. terá um produto que deve ser muito bonito (de modo algum transmitir a estética do "eco-ugly", de catequizar o seu consumidor sobre o valor ecológico, afinal este não é percebido por esse público mesmo) e que, muito provavelmente, será mais caro (em função da matéria-prima, a não ser que vc. use materiais reciclados). É o que está acontecendo com a gente na empresa: a cliente até acha legal esse lance de ecológico e talz, mas ela compra a roupa é pela sensualidade e pelo conforto. Eu suponho que, no seu caso, as rasteirinhas sejam um bom investimento, por serem baratas, usarem o mínimo de materiais e costuras, pode até usar materiais reciclados, desde que tenham algum beneficiamento (um tingimento, um metal, sei lá); acho que vc. consegue uma boa margem de lucro e de aceitabilidade com esse produto.
Mas não é fácil mesmo projetar esses calçados ecológicos... Vc. tem que delimitar bem o conceito do seu produto, saber o que te inspira, fazer uma ótima pequisa de mercado de concorrentes e similares, conhecer bem a sua consumidora, escolher bem seus fornecedores e parceiros, ter uma boa equipe (melhor ter pessoas boas de serviço que boas máquinas) de produção, saber aonde vc. vai vender. É importante não pular nenhuma etapa do projeto, se não, perde-se muito tempo desenhando bobagem.
Bom, espero ter ajudado até aqui. Acho que mais do quer ter força de vontade, a gente precisa ser bem focada, objetiva quanto ao briefing do projeto, ter bem claro o que se deve fazer e em que tempo (planejar!), daí é "só" executar o método de desenvolvimento de produto.
Passei a escrever no blog da Pistache & Banana, marca de moda ética infantil de São Paulo. Então, alguns posts do Eticat e do Pistache Eco Blog farão intercâmbio pela net.
A percepção da criança em relação ao mundo não se dá da mesma forma que a de um adulto. A sua realidade é seu imaginário. É por meio das ações, do fazer, do pensar e do brincar que vai construindo seu conhecimento e desenvolvendo suas estruturas para se relacionar com o mundo que a cerca. E por que amoda não pode acompanhar este desenvolvimento, com peças que ajudem as crianças em cada fase, que incitem sua criatividade, a experimentação, que as estimulem a criar e transformar, que sejam confortáveis e auxiliem nos seus movimentos?
Brincando e jogando, a criança tem oportunidade de desenvolver capacidades importantes para sua vida, como atenção, afetividade, o hábito de permanecer concentrado, entre outras. Por meio do brinquedo, ela reinventa o mundo e libera suas fantasias ela satisfaz algumas de suas curiosidades e traduz o mundo dos adultos para a dimensão de suas possibilidades e necessidades.
E se nos baseássemos na psicologia genética de Jean Piaget para criar roupas para crianças conforme o estágio de seu desenvolvimento, será que poderíamos ter peças para cada fase específica? A resposta é sim, claro. Veja como:
Até 2 anos: na fase sensório-motora ocorre o desenvolvimento de movimentos, musculatura, sentidos e percepção. É mais apropriado usar peças separadas e não muito amplas, de tecido confortável e com elasticidade. Assim, seus movimentos ficam facilitados, e a criança consegue abrir e fechar os braços, esticar e dobras as pernas ou mexer em objetos.
De 2 a 4 anos:a criança realiza exercícios motores utilizando as mãos, como encaixar objetos, desmontar e montar coisas intencionalmente. Para essa idade, a roupa pode ser como um quebra-cabeça, com estampas removíveis e que podem ser montadas e desmontadas, acessórios que possam se movimentar na peça, porém que não possam ser retirados, usando pequenas ímãs internos, velcro, zíper. A criança nesta fase gosta de brincar de faz-de-conta para expressar o mundo que está percebendo. O jogo simbólico propicia grande desenvolvimento cognitivo e social. Nessa brincadeira de representação, ela cria inúmeras situações ao pretender ser um animal ou objeto, ou ao utilizar um objeto como se fosse outro, adquirindo a liberdade de sugerir temas e assumir papéis. Quando participa de brincadeiras desse tipo, a criança utiliza a linguagem adequada e participa de atividades importantes, adquire experiência, conhecimento e assimila os hábitos ou costumes locais.
De 5 a 6 anos: ela começa a levar a sério o jogo. Passa a gostar de movimentar seu corpo, de pular, nadar, correr. Além disso, gosta de ouvir história e recontá-las, de brincar com as letras do alfabeto, ver e recortar figuras de revistas e jornais, de brinquedos de montar e desmontar, escrever, ler; estes são seus novos interesses, além da imitação, que continua presente. Sendo assim, é necessário que as roupas possibilitem maior agilidade, as peças podem ter partes removíveis como mangas e capuz, calças com bolsos removíveis, casacos compridos que ficam curtos, saias que podem se transformar em bermudas, entre outras.
A crianças se desenvolvem de acordo com os estímulos dados ao seu cérebro e conforme o meio em que vive, sendo assim, os adultos que fazem parte deste meio são responsáveis por grande parte no seu desenvolvimento físico, intelectual e social. Criando produtos adequados ao seu corpo e aos movimentos que realiza, a moda mostra seu papel social e passa de fútil e efêmera para ser vista como coadjuvante na ludicidade do aprender, do desenvolver.
* Renata Spiller é designer da Costume Design e consultora do gênero infantil da UseFashion. Graduada em Moda pela UCS, e especialista em Moda, Consumo e Comunicação pela PUCRS.
Fonte: Use Fashion Journal – Moda Profissional. Ano 6, nº 70, novembro 2009, edição brasileira, página 37